05/10/26

Recortes... Festival Primavera Sound 2027 - Barcelona

Eis o cartaz do Festival Primavera Sound 2027, Barcelona. Edição comemorativa dos 25 anos.

30/09/26

Ao vivo... Placebo

 
Data - 29 de Setembro de 2026
Local - Sagres Campo Pequeno
Notas - Nem o excessivo calor, nem a aparente venda de ingressos superior à capacidade da sala, nem a tradicional má acústica do espaço, fizeram com que o concerto dos Placebo fosse fraco.
Brian Molko e Stefan Olsdal, acompanhados por excelentes músicos, brindaram o "excessivo" público com excelentes interpretações de temas que fazem parte dos seus dois primeiros álbuns - "Placebo" editado em 1996, e "Without You I'm Nothing" editado em 1998.
Apesar de a digressão intitular-se "30th Anniversary Tour", o alinhamento, de modo algum foi em modo Best Of, mas quem foi ao concerto sabia ao que ia, como também sabia que era proibido o uso de telemóveis para filmar ou fotografar e, também sabiam, que quem o fizesse, seria expulso da sala e foi algo que aconteceu a muita gente.
Da setlist do concerto fizeram parte ainda uma versão de um tema dos Depeche Mode e uma versão de um tema popularizado por Kate Bush, havendo ainda a oportunidade de ouvir um tema que tinha sido tocado pela primeira vez, no concerto do dia anterior, realizado no Porto.
Na primeira parte do concerto actuou Elisabeth Elektra que trouxe alguns temas do seu mais recente álbum "Hypersigil", editado em 2025. Uma actuação agradável de alguém que vale a pena seguir com alguma atenção.

Setlist Placebo

Pure Morning
Come Home
You Don't Care About Us
Teenage Angst
Bionic
Without You I'm Nothing
Allergic (to Thoughts of Mother Earth)
36 Degrees
I Know
Brick Shithouse
Scared of Girls
My Sweet Prince
Lady of the Flowers
HELEN KELLER (tema novo)
Bruise Pristine
Nancy Boy

Every You Every Me
I Feel You (Depeche Mode cover)
Running Up That Hill (Kate Bush Cover)

25/09/26

Ao vivo... Deb Googe

Data - 15 de Fevereiro de 2024
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Deb Googe, baixista dos My Bloodie Valentine, de visita à Galeria Zé dos Bois, proporcionou um excelente concerto, interagindo com o público mais do que o expectável.
Apesar de, em termos de tempo ter sido um concerto curto, foi muito bom, mesmo não estando lotado o pequeno aquário da ZDB.

24/09/26

Ao vivo... Morrissey

Data - 01 de Agosto de 2026
Local - Super Bock Arena - Porto
Notas - Quando vamos para um concerto de Morrissey, quer queiramos quer não, vamos sempre com alguma ansiedade e expectativa se ele aparece ou não.
Após um atraso de 40 minutos durante os quais foram projectados vários vídeos musicais com temas desde os anos 70 até temas mais actuais, dos mais diversos quadrantes musicais, eis que Morrissey sobe ao palco de uma esgotada Super Bock Arena, Porto, para brindar os fans com um concerto com cerca de duas horas, interpretando temas quer dos seus trabalhos a solo (muitos) a temas dos saudosos Smiths.
Uma noite musicalmente perfeita, mesmo tendo ficado de fora alguns temas que gostaríamos de ter escutado, mas quando se tem uma carreira recheada de bons discos e boas músicas - uma longa carreira a solo iniciada em 1988 e ainda o percurso nos Smiths que durou entre 1984 e 1987 com a edição de quatro álbuns - algo teria de ficar de fora.
Quanto a Morrissey... continua perfeito.

Setlist:

Billy Budd
The Youngest Was the Most Loved
First of the Gang to Die
Shoplifters of the World Unite (The Smiths song)
How Soon Is Now? (The Smiths song)
Now My Heart Is Full
Kerching Kerching
A Rush and a Push and the Land Is Ours (The Smiths song)
Make-Up Is a Lie
Zoom Zoom the Little Boy (Comment about Fernando Pessoa book called Livro do Desassossego)
Life Is a Pigsty
Sure Enough, the Telephone Rings
The Bullfighter Dies
I Know It's Over (The Smiths song)
Everyday Is Like Sunday (Clair de Lune piano Intro by Camila Grey)
The Monsters of Pig Alley
Suedehead
Irish Blood, English Heart
Jack the Ripper

There Is a Light That Never Goes Out (The Smiths song)
You'll Never Walk Alone (Judy Garland song)

23/09/26

Entrevista... Jorge Palma

Volto a publicar a entrevista feita ao Jorge Palma em 1979, por altura da edição do álbum "Qualquer Coisa Pá Música"

Perg. - Quem é o Jorge Palma?
Resp. – Quem sou eu? Bela pergunta com milhões de respostas e mais interpretações ainda. Sinceramente, não estou certo de conhecer a resposta verdadeira e como tal respondo que sou alguém que como toda a gente tem direito a ser livre e estou disposto a lutar por isso, enquanto tiver força. Alegremente.

Perg. – Há três anos editaste um disco, “Té Já”, mas esse “Té Já” durou este tempo todo. O que fizeste durante estes três anos?
Resp. – Quando acabei de gravar o disco tive uma hepatite e depois tive um mês no hospital. Em seguida fui para Espanha, tendo sido a primeira vez que fui só com a guitarra, tocar na rua. Estive lá três meses e depois voltei a Portugal e o disco ainda estava por editar. Foi editado enquanto eu cá estava. Depois fui para França, onde estive dois anos e durante esse tempo andei por Paris, fui até Inglaterra e Alemanha. Andei por aí, pelo mundo fora, até Agosto de 1979, altura em que regressei a Portugal. Durante esse tempo todo, fiz músicas, cantei no metro, festas, bares e conheci o Blue Grass, um tipo de música de que gostei muito e porque sou bastante influenciado.

Perg. – O que sentes quando tocas no Metro e te dão esmolas, e logo a seguir vais para a TV?
Resp. – Quando estou a tocar no metro, sinto-me bem, mais livre, mais à vontade, mais despreocupado. No metro toco o que me apetece e as pessoas dão o que querem e o que lhes apetece. Na TV, uma pessoa sente-se mais responsabilizada, não se pode ser extra reaccionário, nem radical. Na TV é mais difícil.

Perg. – Recentemente numa entrevista na televisão, fizeram-te uma pergunta sobre os comprimidos que tomavas, se ainda os continuavas a tomar. Lembro-me que respondeste espontaneamente à questão e com bastante à vontade. Porquê essa descontracção na resposta?
Resp. – É tipo impulso, estou a ser arrastado pelo pensamento de que há uma câmara e que de vez em quando corta. Estando à vontade, ninguém me pode incomodar.

Perg. – Quais as influências que tens do Sérgio Godinho?
Resp. – Pessoais, são porreiras. Espirituais, são ainda mais porreiras. A primeira vez que o encontrei, foi em Paris. Foi num dia em que fui comprar tabaco a um café onde não era costume ir, e quando ia a sair do café deparei-me com ele e falamos. No dia seguinte estava a tocar no metro numa carruagem e o Sérgio entrou e a partir dessa altura ficámos grandes amigos. Quanto ao ponto de vista musical, acho que ele tem bastante talento, que é um valor muito válido para a música Portuguesa e como tal, tenho algumas influências dele. Na minha opinião, dentro da música Portuguesa ele é um deus

Perg. – Tu condicionas-te somente a um estilo musical?
Resp. - Não, o tipo de música que se toca depende do estado de espírito de uma pessoa. O Blue Grass é um estilo musical que fala de desastres, dramas, e que tem ritmo e por isso torna-se um bocado alegre. Por sua vez o Jazz e o Blues são do género mais triste. Como disse, acho que a música depende do estado de espírito.

Perg. – Qual o principal estilo de música que mais te influencia?
Resp. – Não há um estilo que se possa dizer principal. Já tive momentos em que era mais influenciado pelo Jazz, outras pelo Country e actualmente estou mais influenciado pelo chamado folclore. É por isso que agora penso fazer uma volta por Portugal, terra a terra. Em França convivi com todo o tipo de camadas sociais, o que não acontece cá em Portugal, talvez por as camadas estarem mais fechadas, entre barreiras, do que lá.

Perg. – Não há nada que te impeça de ir pelo país, por exemplo ao Norte, tradicionalmente mais fechado?
Resp. – No norte nunca experimentei, mas em Faro e Setúbal tive grande aceitação, o que já não aconteceu em Vila Real de S. António, pois os senhores de mais idade olhavam para mim com uma cara, como se estivessem com medo.

Perg. – Quando estás a compor, em que pensas?
Resp. – Quando estou a compor? Já passei por uma fase em que me preocupava com o que ia dizer, agora já não.

Perg. – Porquê?
Resp. – A malta é comodista, pois todos querem ter tratamento de rei, e por isso não quero criar compromissos de ficar em dúvida. A partir de certa altura da vida, quando se tem família, já não podemos dizer que fizemos alguma coisa mal, pois já está tudo organizado.

Perg. – Ao analisar as letras deste teu mais recente trabalho “Qualquer Coisa Pá Música”, verifica-se que a maioria delas falam do dia-a-dia das pessoas, principalmente da cidade. Porquê?
Resp. – Porque a maior parte do tempo que tenho é passado na cidade. Uma pessoa tem de ter o sentimento que o determina. Quando vivemos numa cidade, fazemos parte dela e como tal é uma influência natural. As músicas que fiz, ou que vier a fazer no campo, serão músicas mais leves, vão falar de pássaros e flores, enquanto que as da cidade são sempre mais pesadas, mais esquizofrénicas.

Perg. – Há pouco falaste que gostavas de fazer coisas para crianças. Já alguma vez fizeste um programa destinado a esse tipo de público?
Resp. – Já. O Júlio Isidoro convidou-me para fazer uma música sobre castanhas, para o programa “Arte & Manhas”, mas o programa foi adiado e nunca chegou a ser gravado. Recentemente foi gravado um disco com as músicas dessa série e eu canto essa música.

Perg. - O que sentes ao gravar para crianças?
Resp. – Sinto-me diferente.

Perg. – Achas que em Portugal é possível viver, somente, à custa da música?
Resp. – Eu já cá estou há nove meses e vou sobrevivendo. Não é nada fácil apesar de eu ter um bom acesso à televisão.

Perg. – Sentes-te influenciado por alguém em especial?
Resp. - Em especial, não. Sinto-me mais influenciado por aqueles que têm mais força, pelos que morrem sem ter atingido os seus objectivos, pelos que morrem no auge da sua força.

Perg. – Como por eemplo Woodie Ghthrie?
Resp. – Sim. São pessoas que toda a energia que fizeram na vida, depois de morrerem, multiplicou-se. Gosto muto do John Lennon, como compositor, como poeta.

Perg. – Quando actuas, o teu cachet é elevado?
Resp. – Depende. Há casos em que cobro cachet, outros casos não, pois se a pessoas que contrata puder pagar, é lógico que cobro; no entanto, se não puder pagar, eu não cobro esse cachet e actuo de borla, mas as entradas também têm de ser de borla.

Nota final - Jorge Palma partiu, mas deixou-nos uma obra soberba e intemporal.
O homem que sonhou com uma terra onde podíamos ser quem quiséssemos que ninguém ia levar a mal e em que toda a gente tratava a gente toda por igual.
Um sonho que nunca se concretizou, e que dificilmente se concretizará, num mundo cada vez pior, repleto de ganâncias e egoísmos que não auguram nada de bom.
No entanto, como Jorge Palma dizia, enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar, e a sua música vai continuar a fazer parte da banda-sonora das nossas vidas.

Homenagem... Jorge Palma

1950 - 2026
Em 1979, após a edição do seu álbum "Qualquer Coisa Pá Música", entrevistei-o; a primeira entrevista que fiz.

23/03/26

Ao vivo... Diamanda Galás

Data - 18 de Fevereiro de 2026
Local - Casa da Música, Porto
Notas - Durante cerca de uma hora, Diamanda Galás, do alto do seu estatuto criativo e dos seus 70 anos de idade, brindou-nos com pura magia.
Com uma entrada em palco de um silêncio arrebatador, Diamanda Galás senta-se no piano colocado no centro do palco e, durante uma hora transportou-nos para longe, numa viagem sensorial, cantando à sua maneira e como só ela consegue, subindo o tom até níveis impossíveis de atingir, para de seguida entrar, sem qualquer pausa, num murmúrio que nos corta a respiração, murmúrio breve, para, de seguida, cantar, e depois volta a subir os tais tons, atingindo um número de até mais de cinco oitavas, algo pouco conseguido e impressionante, para volta a cantar, a murmurar, num estilo de canto lírico ou de vocalizações não convencionais, com agudos extremos e gritos controlados.
Um estilo musical que poder-se-á dizer não ser fácil de entender e gostar, mas que, se o conseguirmos fazer, é mágico.
Concerto curto mas perfeito, e dificilmente poderia demorar mais tempo devido ao esforço vocal exigido.
No final do concerto, de forma sóbria, sedutora e arrebatadora, Diamanda Galás abandona o palco em silêncio, e o público abandona a sala, arrebatado, também em silêncio.

Recortes... Diamanda Galás

Diamanda Galás na Casa da Música, Porto

22/03/26

Setlist... Suede

Setlist do concerto dos Suede, Lisboa

Ao vivo... Suede

Data - 20 de Março de 2026
Local - Sagres Campo Pequeno
Notas - Despois do excelente concerto no Porto, seguiu-se Lisboa.
A entrega da banda em palco e um bom alinhamento com pequenas alterações ao concerto do dia anterior na Super Bock Arena (Palácio de Cristal), foram completamente "trucidadas" pelo péssimo som daquela que considero a pior sala para espectáculos musicais de Lisboa, e arrisco mesmo a afirmar que é uma das piores de todo o país.
Um som enrolado sem qualquer definição, a voz mal se ouvia, e as letras não eram nada perceptíveis.
Foi pena pois o grupo e o público mereciam muito mais.
Na primeira parte estiveram, novamente, os Swim School.

Setlist... Suede

 

Setlist do concerto dos Suede, Porto.

21/03/26

Ao vivo... Suede

Data - 19 de Março de 2026
Local - Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota - Porto
Notas - Nesta passagem por Portugal da "Dancing With The European Tour", os britânicos Suede optaram por dois concertos no Porto e Lisboa, respectivamente.
Nesta noite fria na invicta, o grupo liderado pelo carismático Brett Anderson esteve perfeito.
Durante cerca de hora e meia percorreram vários discos da sua já longa carreira (formaram-se no ano de 1989, em Londres) com um alinhamento bem elaborado, apesar de terem ficado de fora grandes temas do grupo, o que é natural atendendo à vasta e boa carreira da banda.
Apesar de o espaço estar muito longe de ter esgotado, Brett Anderson (voz), Mat Osman (baixo), Simon Gilbert (bateria), Richard Oakes (guitarra) e Neil Codling (teclas, coros e guitarra), proporcionaram aos presentes uma noite excelente e de boa música, demonstrando que o tempo não passa por esta banda britânica que, apesar de não ter a legião de fãs de outras bandas de terras britânicas, tem mantido ao longo dos anos uma carreira musical de grande nível, apesar de alguns momentos menos bons, e que regressou às edições discográficas em 2025, com "Dancing With The Europeans", considerado por várias revistas da especialidade um dos melhores álbuns do ano.
Na primeira parte, e durante cerca de meia hora, tocaram os escoceses Swim School, que apresentaram bons temas de um rock bem construído, mostrando ser uma banda a ter em atenção.

18/01/26

Recortes... MAD Cool

 



No mês de Julho, Madrid. Imperdível